LITERATURA BRASILEIRA

Textos literários em meio eletrônico

Assembleia das aves, de Marcelino Antônio Dutra


Obra de referência:

Assembleia das aves, de Marcelino Antônio Dutra. Ed. fac-similar da de 1847.

Florianópolis: Livraria Central, 1921.

 

 

 

 

 

 

 

 

ASSEMBLÉA DAS AVES

POEMETO EM QUATRO CANTOS

DEDICADO

AOS VERDADEIROS AMIGOS DO

EXMº. SR. CONSELHEIRO JERONIMO

FRANCISCO COELHO.

POR

M A D

FEITO NA CIDADE DO DESTERRO DA PROVÍNCIA DE

SANTA CATARINA AOS 2 DE JUNHO DE 1847

 

RIO DE JANEIRO

TIPOGRAPHIA DO MERCANTIL, RUA DA QUINTANDA N. 13

___

 

1847

 

 

 

 

 

 

PRÓLOGO D0 EDITOR.

 

SANTA CATARINA - CAMPANHA ELEITORAL.

 

OS CRISTÃOS E OS JUDEUS.

 

 

Aí tendes, leitores, um poemeto elei­toral, denominado — Assembleia das Aves. — Quem esperaria ver das urnas saírem inspirações poéticas? E o caso é que no dito poemeto, e sobre tão prosaico assunto, verão os leitores como arpeja uma lira sonorosa, e como se exprime a musa cândida e pura de um vate catarinense. Nesta produção singela, (pondo de lado o objeto, e fim), cumpre-nos acolher benignos os primeiros voos da imaginação de um vate nascente, que oferta ao seu país estas primícias do seu engenho, e que se for animado, poderá para o futuro dar algum contingente e literatura e poesia nacional.

 

Passam-se os fatos na província de Santa Catarina no correr do presente ano de 1847. É ano de eleições gerais, isto quer dizer, que em todo o império é ano de lutas desabridas, de intrigas, de embus­tes, de vexações, de calúnias, de trapaças, de transações, adulações, combinações, coalizões, etc., etc.; é ano enfim de que foi dito, que — ficam suspensas as garantias da honra, e da probidade — .

 

Enquanto uma ou outra província do Norte se prepara para as vias de fato, um afiando o ferro, outro alvejando o trabuco e a escopeta, este dispondo-se para a cacetada, aquele pondo à mão a flamelga; na província de Santa Catarina, onde constantemente tem havido as mais pacíficas eleições, as cou­sas felizmente correm por diverso modo; a luta desta vez não terá decerto o caráter turbulento e feroz de outros lugares, mas será renhida, forte e decisiva, e ao mesmo tempo regular e legítima, salvo ligeiros desvios.

 

Um só é o lugar de deputado à assembleia geral legislativa; e dous são os can­didatos; um que é o candidato, e o herói do poeta, o conselheiro, e atual deputado Jerônimo Francisco Coelho; outro, o novo candidato, o rival que se apresenta, o ba­charel Joaquim Augusto do Livramento. Ambos são Catarinenses.

 

O povo da província se declara em dous partidos bem pronunciados, e profundamen­te divididos. Por malignidade estratégica, e pela referida suspensão das garantias, os Livramentistas se apelidam a si de Cristãos, e alcunham os Jeromistas de Judeus, querendo eles assim fanatizar os símplices, e supersticiosamente incendiá-los contra os seus adversários. Este maligno invento fa­lhou completamente. Os Judeus aceitaram a alcunha, e com ele se gloriam; e os Cristãos conservam o seu apelido, que tanto tem de nobre, e significativo pelo lado religioso, quanto de estéril e ridículo pelo lado político.

 

Bem se vê, pela linguagem que falamos, que nós, o editor desta obra, e autor deste prólogo, somos Judeu de 24 quilates. Não obstante, procuraremos ser em toda esta exposição, justo, imparcial, e verdadeiro. Continuemos.

 

O partido Cristão ou Livramentista, compõe-se de diferentes grupos ou frações, heterogêneas entre si, cada qual movido por causas e sentimentos inteiramente distintos; a saber: uns por espírito de família, e tais são parte dos parentes do candidato; outros por antigas ou modernas desavenças individuais; outros, que tendo recebido muitos benefícios do candidato Judeu, não poderão ver cheia toda a medida de seus vorazes desejos; outros por mesquinhos ciúmes de influências ou preferências, e ridículas questões de bairrismo; outros, le­vianos, e pouco refletidos pelo sentimento (entre nós tão natural e tão fatal) que nos leva a apetecer toda a mudança, e novi­dade; outros enfim, que, acumulados de beneficios, levantados do pó, e sem terem recebido ofensa, acabrunhados, e vexados com o peso de tão grande dívida, para livrar-se dela, tomarão o cômodo e fácil expediente de pagá-la com a moeda da ingratidão!

 

Vê-se portanto, que não há convicções no partido, e nem é a fé no candidato Cristão, o que anima os partidários; estes o escolheram considerando que na atuali­dade só ele poderia dar alguma probabi­lidade de vencer. Assim diferentes causas de movimento, atuando sobre estes grupos ou frações, os impelem e reúnem em um centro; eis o partido. Bazófios, bulhentos, e vociferadores, assim procuram inculcar a força moral, e numérica, que lhes falta.

 

Se fosse admissível a hipótese de saírem vencedores os Cristãos, no dia imediato infalivelmente teriam de questionar pela parte de presa, e logo se desligariam. O único pensamento que "os anima em comum é — «deitar abaixo quem está em cima». Hão de ser unidos enquanto ven­cidos.

 

O partido Judeu ou Jeromista, mais nu­meroso, mais cordato, e refletido, muito mais ilustrado, com firmes e extensas raízes em todos os pontos da província, cheio de profundas convicções, tendo verdadeira fé, e a mais acrisolada simpatia ao seu can­didato, forma uma maça inteiriça, e respei­tável.

 

Um só pensamento anima a todos os Judeus. — «Escolher um bom representante, reconhecer os serviços, e premiar o mérito — » Os Judeus não se desligam, nem recuam. Vencedores, ou vencidos, hão de sempre estar unidos.

 

Passemos adiante.

 

Contava-se que a eleição fosse feita no ano passado (1846); a lei a espaçou para o ano corrente; e a luta, em vez de arre­fecer com o tempo, tem continuado de mais em mais ativa e crescente.

 

Os partidos foram gladiar-se na im­prensa da corte; aí têm gemido os prelos por vezes repetidas, e a polêmica tornou-se viva, animada, e forte, e ultimamente in­teressante e faceta.

 

Na província formam-se de parte a parte publicamente associações eleitorais, que se ramificam por todos os pontos. A toda a parte se vai pregar a santa doutrina uns do Novo, outros do Velho Testamento político-eleitoral. Quando uns gritam — Viva o Cristo! — os outros respondem — Viva o Rei dos Judeus!

 

Formam-se também reuniões populares a céu aberto, verdadeiros meetings à inglesa.

 

Os Cristãos tomaram por divisa as pa­lavras do Evangelho — Potentes de sede deposuit, et humiles exaltavit. — A divisa dos Judeus é — Deus, honra, e lei — junto à legenda histórica — In hoc signo vinces — .

 

A animosidade fervorosa dos 2 partidos tem tocado o ponto de fanatismo. Exceto as principais autoridades, como o presi­dente da província, o arcipreste, o chefe de polícia, e alguns outros, que se têm conservado estáticos, indiferentes, e rege­lados, deixando a arena completamente livre aos contendores, toda a mais população em massa, quer da cidade, quer do campo, inclusive os mais remotos habitadores dos sertões, tudo está ou judeizado ou cristianizado. Até uns santos varões, padres jesuítas, que vieram pregar a fé e a palavra do Divino Mestre, são (lá no íntimo d’alma, e no segredo de seus peitos) muito bons e venerandos Judeus.

 

Hinos, cânticos, poesia, e música, bai­les, saraus, passeios, romarias, e cavalgatas, tudo exclusivo para cada lado, ainda mais servem para exaltar o entusiasmo dos partidos. As Judias, assim como são as mais formosas, tambem são as mais corajosas.

 

Moços, e velhos, grandes e pequenos, homens, e mulheres, meninos e meninas, casados, ou solteiros, bonitos, e feios, altos e baixos, gordos e magros, tortos e alei­jados, surdos, ou cegos, sem distinção de sexo, idade e cor, estado, condição, religião, profissão ou senão, (salvas as já ditas exceções), todos se afervoram, todos dis­cutem, todos se empenham, todos trabalham, todos, cada qual pelo seu partido, tomam a parte mais ativa e decidida, todos enfim, votantes e não votantes, estão firmes no seu posto esperando a hora do combate.

 

Neste estado de exaltamento chega à província o candidato Judeu a 2 de março do corrente ano. Toma assento como de­putado da assembléa províncial; aí se acha frente a frente com o seu rival, o candidato Cristão. É na sua vida a pri­meira vez que eles se encontram.

Trava-se imediatamente a mais vigorosa luta par­lamentar; luta sustentada por quase 2 meses, até voltar à corte o nosso candidato. Quiséramos dar a descrição desta interes­sante luta, mas já nos declaramos Judeu, e como tal suspeito; e de mais esta descrição compete ao vate; todavia apelamos para o juízo dos Cristãos moderados (se os há); e eles que digam se o candidato Judeu comportou-se ou não como parla­mentar, e cavalheiro.

 

Volta o nosso candidato à corte nos fins de abril do mesmo ano, para tomar assento na assembleia geral. Enquanto esteve ele na província, andavam os Cristãos, enfiados, inquietos, e constrangidos; ao depois intole­rantes no último ponto, tornaram à sua habi­tual arrogância e fanfarrice, no que muito se têm distinguido. Os Judeus, algumas vezes não menos intolerantes, porém sempre mais amenos e civis, têm continuado na sua inextinguível e infatigavel perseverança.

 

Agora se aproxima a época da eleição, e o povo, que viu com seus olhos a luta corpo a corpo dos dous campeões, decidirá a quem compete o prêmio da justa. Este litígio eleitoral, que se tornará memorável nos anais da província, pleiteado perante o tribunal da opinião pública, vai em breve ser sentenciado pelo juiz competente, e (conforme o belo pensamento de um poeta contemporâneo), o processo será o combate, a sentença será a Vitória.

 

Os dous partidos ambos julgam-se fortes, ambos contam vencer. Os Cristãos têm chefes audazes, dispostos a tudo, sem es­colha de meios; muitas vezes como que desanimam, e então tornam-se furiosos. Os Judeus contam chefes prestigiosos, ativos e vigilantes; confiam em si, no mérito do candidato, e no senso público; mostram-se mais tolerantes, e nunca desesperarão.

 

Não se receia, que hajam sérios conflitos no dia crítico; assim o afiança a moralidade do povo, o seu bom senso, e espírito de ordem; e quando os imprudentes de qualquer dos partidos tentem sair das raias legais, e transpor as vias da modera­ção, esses se acharão sós, e serão os unicos responsáveis.

 

Os nomes dos 2 candidatos vão entrar na urna; o do candidato Judeu entra com uma longa série de serviços feitos, com um nome conhecido no Brasil inteiro, e com um longo tirocínio parlamentar, e prática governativa; o do candidato Cristão entra com um com­prido rol de serviços por fazer, com um nome ignoto, e com a novatice e inexperiência da juventude. Um entra com grandes fatos, o outro com grandes promessas. A confiança anima os Judeus, a esperança seduz os Cristãos. Quem será o preferido? Aquele de quem mais gostar o povo, pois há gostos para tudo.

 

O dia, que vai raiar a 7 de Novembro de 1847, alumiará o campo de batalha; o combate será decisivo; entretanto nos dous arraiais tudo é bulício e impaciência.

 

Para quem penderá a balança dos su­frágios populares? A quem protegerá o Deus das batalhas? Quem cantará a vitória? Mas porventura o Deus da Cristandade não será o mesmo Deus de Israel? É um problema, que brevemente a urna resolverá.

 

Esperemos.

 

Por esta sucinta e verídica narração, conheceram os leitores debaixo de que im­pressão escreve, e compõe o autor do poemeto da — Assembléa das Aves.

 

Discorre o poeta como discorreria qual­quer Judeu do mesmo quilate que o Editor. Numa engenhosa alegoria, que assenta sobre um fundo histórico verdadeiro, faz ele aparecer convenientemente falando diferentes aves, e as emprega para cantar o candidato Judeu, e descantar o candidato Cristão. Na escolha alegórica, que faz o poeta, e competente distribuição dos inter­locutores, só faremos notar a feliz escolha do Cisne, para representar o seu herói, e a do Quero-quero, para representar o rival; ambos aves aquaticas, o que bem quadra aos dous candidatos, filhos de uma pro­víncia eminentemente marítima e fluvial, com a diferença porém que o Cisne é o majestoso rei dos grandes lagos, e o Quero-quero o mariscador dos pequenos charcos.

 

Terminaremos com um tributo de homenagem judaica ao nosso Cisne, oferecendo a descrição, que dele faz um analista pelo modo seguinte:

 

«O Cisne é uma das maiores aves aquáticas; mas nenhuma tem, como ele, tanta graça e beleza; nenhuma se distingue por tanta elegância nas formas, e tanta nobreza no porte e nas atitudes».

 

Adicionaremos por fim a descrição ética, que do Cisne faz o eloquente Buffon:

 

«A seu nobre talhe, à facilidade, e à liberdade de seus movimentos n’água, se deve nele reconhecer não só o primeiro dos navegantes alados, mas também o mais belo modelo, que a natureza nos oferece para a arte da navegação; seu colo elevado, seu peito saliente, e arredondado, parecem com efeito figurar a proa de um navio fendendo as ondas; seu largo estômago representa a quilha; seu corpo, lanç­ado à frente para navegar, arma-se para trás, e se levanta em popa; a cauda é um verdadeiro leme; os pés são largos remos; suas grandes asas semi-abertas ao vento, docemente cheias, são velas, que impelem esta embarcação viva, navio e piloto no mesmo tempo.»

 

Por pouco interessante, calaremos o que do Quero-quero dizem os mesmos naturais.

 

Findaremos, recomendando aos leito­res em geral, a poesia e o poeta, e aos Catarinenses em particular os merecimen­tos, e os serviços do herói do poema, do candidato Judeu, do Cisne Catarinense. — Disse.

 

 

O EDITOR.

 

 

 

 

 

 

 

CANTO 1.

 

ARGUMENTO

 

Em singela alegoria

De um Cisne pinto a candura;

Das aves canto a ventura

A paz, sossego, harmonia.

Vitupero a rebeldia

De certo grupo traidor:

Louvo um gentil beija-flor,

Mimoso, nobre, e sincero;

Pinto enfim um Quero-quero

Turbulento, e piador.

 

 

 

Aos graus vinte sete e trinta [1]

Para o Sul do Equador,

No mundo, de que Colombo

Foi feliz descobridor.

 

 

 

Novecentas e setenta [2]

Léguas para o ocidente

Do Bretão meridiano,

(Se nauta regra não mente)

 

 

 

Sítio jaz, que o mar se ufana

De assíduo em torno beijar;

Pleiteiam zéfiros brandos

O prazer de o bafejar.

 

 

 

Quando a todos os viventes

Fala os deuses concediam,

Plumosos, bípedes bandos

Aí felizes vivião.

 

 

 

Ao volátil, dócil povo

Presidiam mansidão,

Concórdia, paz, doces frutos

Que produz a solidão.

 

 

 

O plúmeo bando feliz

Da paz os gozos fruía,

Até que veio a cobiça

Plantar a desarmonia.

 

 

 

Alguns se alegram com isso!

Tal é a facilidade,

Com que no mundo se aplaude

Tudo quanto é novidade!

 

 

 

Eis o caso: pelas aves

Sábio Cisne fora eleito

Para sustentar na corte

Do plúmeo povo o direito.

 

 

 

Que bem o cargo servira

Não sofre contestação;

Porque das aves tivera

Constante reeleição.

 

 

10ª

 

Também cabe apresentar

Por documento em favor,

Tê-lo chamado a conselho

Das aves a Superior.

 

 

11ª

 

Sem ambição, sem riquezas,

Sem brasões de fidalguia,

Honra tal só o talento

Conferido ter podia.

 

 

12ª

 

Rancores, ódios, vinganças,

Nem contra o próprio inimigo

Em seu peito generoso

Jamais tiveram abrigo.

 

 

13ª

 

Entretanto volta à terra,

De que saíra a estudar,

Um Quero-quero dizendo

Que vinha os seus libertar. [3]

 

 

14ª

 

À maior parte das aves

Causou isto expectação;

Porque dar a liberdade

Presupõe a escravidão.

 

 

15ª

 

A uma linda saíra

Perguntou um beija-flor,

«Se é certo sermos cativos,

«Quem será nosso senhor? »

 

 

16ª

 

«Não sei (responde a mimosa),

«Mas tenho ouvido dizer,

«Que o jugo do cativeiro

Faz suspirar, faz gemer.

 

 

17ª

 

«Até hoje (aos Céos louvores!)

«Não suspirei, nem gemi,

«Portanto julgo-me ainda

«Ser livre como nasci.»

 

 

18ª

 

Ai! tristes! já lá no peito

Dos inocentes plumosos,

A discórdia acerba e dura

Os faz menos venturosos.

 

 

19ª

 

Assim foi, que certo bando,

Levado de fanatismo,

Toma do Libertador

A inveja por heroísmo.

 

 

20ª

 

De incenso pobre aturdido

Se infatua o novo herói,

Concórdia, paz, e sossego,

Em breve o tempo destrói.

 

 

21ª

 

Adeus ternas amizades,

Boa fé, leda harmonia,

Quietação doce, e mais doce

Inocência de algum dia.

 

 

22ª

 

Pairam nuvens de discórdia

Sobre o sítio encantador,

Ninguém mais de ser escapa

Delatado ou delator.

 

 

23ª

 

Tal quando em Mavórcia lide

Soa a voz de combater,

Entre o ataque e defesa

Por força se há de escolher.

 

 

24ª

 

Por iludir os incautos,

Que do seu partido são,

Ardilosos planejaram

Noturna reunião. [4]

 

 

25ª

 

Os ódios, que em muitos peitos

Existiam sufocados,

Nela acharam sítio, ensejo

Os mais bem apropriados.

 

 

26ª

 

Ali sandices vomita

O fofo Libertador,

Em camisas de onze varas

Foi meter-se o falador.

 

 

27ª

Seu alvo (diz a Gazeta)

Foi deprimir o rival,

Ha Queros-queros, que imitam

As gralhas em falar mal.

 

 

28ª

 

E não deu baldado exemplo,

Pois logo surgiu dali

Um Tiê, que vira tudo,

Como qualquer Bem-te-vi.

 

 

29ª

 

Sobre as aves inocentes

Esvoaça o detrator,

Fere a todos sem piedade,

Sem respeito, e sem pudor.

 

 

30ª

 

Não houve aí Tico-tico,

Papa-arroz, ou Tangará,

Pobresinho, que escapasse

À língua ferina, e má.

 

 

31ª

 

«Não prossigas, maldizente!

«Não difames a ninguém!

«De dizer-se mal dos outros

«Qual o lucro, que provêm?

 

 

32ª

 

«Sobre esta terra de dores

«Infelizes companheiras,

«Leis de amor unir-nos devem,

«Leis do Céu, leis verdadeiras.

 

 

33ª

 

«Somos corruptível massa,

«Que Deus serviu-se animar.»

Assim mimosa avezinha

Findou seu triste cantar.

 

 

 

 

CANTO II.

 

ARGUMENTO

 

Para ao Cisne disputar

Populares afeições,

Chamam às reuniões

Negras aves d’ultramar.

Vão ali fezes vazar

Aves de bico daninho;

Aos Céus invoca um Arminho

Que à terra o Cisne trouxesse;

Uma corveta aparece;

Traz o Cisne ao pátrio ninho.

 

 

 

Já da Capricórnia meta

Se afasta o grande luseiro;

Eis o Outono, em frutos fértil

Sobre o solo braslieiro;

 

 

 

Lá vai Febo auriluzente

Curar com tepida mão

Os danos, que em sua ausência

Sofrera o Setentrião.

 

 

 

Multidão de esparsas folhas

Junca a terra em parda cor;

A saudade de seus ramos

Lhes murcha o lindo verdor.

 

 

 

Desmuciados, grossos troncos

Distendem tortas raízes.

Tardo auxílio!... Nada sentem,

São mortas as infelizes!

 

 

 

Mas vai já tudo animar-se

Da febeia proteção,

As selvas amortecidas

Que lindas florescerão!

 

 

 

Pelas aves, entretanto

Prossegue o pleito odioso;

Nelas abre a vil intriga

Cavo sulco abominoso.

 

 

 

Negras aves africanas, [5]

Que de — Anus — o nome têm,

Aos Sericuás, e Tucanos

Se reuniram também.

 

 

 

Desta liga monstruosa

Fez-se um clube eleitoral;

Temeu logo as consequências

O poder policial.

 

 

 

Eis ordena que de dia

Só se possam reunir,

Pois da noite o negro manto

Sói os crimes encobrir.

 

 

10ª

 

Tinha a Fama por cem bocas

Falsamente apregoado

Todo o caso; até se afirma

Que mentira seu bocado.

 

 

11ª

 

Se uma boca só que mente,

Muito mal faz produzir,

Que de males não resultam

De cem bocas a mentir?

 

 

12ª

 

Soube o eleito na corte

Do trama na terra urdido

Por muitos, que só favores

Dele haviam recebido.

 

 

13ª

 

Sobranceiro a tanta infâmia,

No seu forte coração,

De algumas aves mesquinhas

Desprezando a ingratidão;

 

 

14ª

 

Veio ver essas que firmes,

Com fé, amor, lealdade,

Sacros deveres cumpriram

Da justiça e da amizade.

 

 

15ª

«Vem, sábio legislador,

«Que honras teu país natal,

«Vem trocar com teus amigos

«Um abraço fraternal.

 

 

16ª

 

«Vem saber que as mais sensatas

«Das aves tuas patrícias,

«Por ti afrontam perigos,

«Por ti rejeitam delícias.

 

 

17ª

 

«Que a parte sã da província,

«Por teu mérito, e primor,

«Te vota mais que amizade,

«Muito mais, te vota amor.

 

 

18ª

 

«Vem, saber, que tu não deves

«Recear calúnias vis.

«Refalsada e baixa intriga,

«Baixos manejos sutis.

 

 

19ª

 

«Despresa esses, que vivem

«Só de embuste e falsidade,

«Que parecem proibidos

«De dizer uma verdade.

 

 

20ª

 

«Tens um trono em nossos peitos,

«Baseado em puro amor.

«Anda, vem testemunhar

«Nossa fé, nosso valor.

 

 

21ª

 

Em quanto gentil Arminho

Pousado numa figueira,

Isto diz; lá se levanta

Avermelhada bandeira. [6]

 

 

22ª

 

Após esta outra subia

De várias listadas cores;

Era a Corveta fendendo

Pelos mares interiores. [7]

 

 

23ª

 

Nela vem Ave escolhida

Dentre muitas aves mil,

Daquelas, que mais ilustram

As florestas do Brasil.

 

 

24ª

 

Com geral contentamento

Em veloz celeridade

Percorre a fausta notícia

Os subúrbios da cidade.

 

 

25ª

 

Bem como os sons da trombeta

Fazem saber aos guerreiros,

Que no perigo iminente

Às armas corram ligeiros:

 

 

26ª

 

Tal este deixa apressado

Aberto o livro em que lia;

Aquele, de tinta cheia

A pena com que escrevia.

 

 

27ª

 

Um que escuta o terno canto,

Da mais delicada amante,

Deixa; parte, e leva a nova

Ao companheiro distante.

 

 

28ª

 

Outro, que no altar de amor

Ia dar um juramento,

No caminho a nova sabe,

Volta, e falha o emprasamento.

 

 

29ª

 

Alguns partem duvidosos;

Todos à praia caminham

Alegres aves aos centos

No desembarque se apinham.

 

 

30ª

 

Ao longe avança um batel,

Que lhes occupa os sentidos;

Ele chega; e veem seus olhos

O que ouviram seus ouvidos.

 

 

31ª

 

Aquilo que se deseja

Com sincero, e puro ardor,

No momento em que se alcança

Tem mais que humano valor.

 

 

32ª

 

A chegada de um amigo

Por longos tempos ausente,

Transforma mágoas passadas

Em puro gozo presente.

 

 

33ª

 

Esses, que no peito abrigam

Corações cheios de fel,

Não podem sentir as cousas,

Que escrevo neste papel.

 

 

 

 

CANTO III.

 

ARGUMENTO

 

Saudoso, fagueiro, e terno

Chega o Cisne aos pátrios lares;

Vêm as aves a milhares

Com prazer o mais interno,

Em dar o abraço fraterno,

É quem primeiro será;

Pelo povo que ali está,

Em sinal de saudação,

A mais bela alocução

Faz ao Cisne um Sabiá.

 

 

 

Musa amiga, que por vezes

Nas minhas vicissitudes,

Mil endechas me inspiraste

Saudosas, se bem que rudes;

 

 

 

Que às ingratidões de Márcia,

Que aos encantos de Delmira,

Sons maviosos tiravas

De uma só corda da Lira;

 

 

 

Outorga-me neste empenho

Os teus encantos divinos,

Com que outrora da Estige [8]

Venceste acerbos destinos.

 

 

 

Se me não for permitido

Encantar jovens leitores,

Que na flor da mocidade,

Só se encantam por amores;

 

 

 

Se agrados não excitar

À sabujenta velhice,

Que só crê nas priscas eras

Tendo horror à modernice;

 

 

 

Se o belo sexo enfim

Não me der nenhum apreço,

Porque as belas só se enlevam

Nas aras do Deus travesso;

 

 

 

Nem por isso me denegues

Teu auxílio altipotente,

O que não agrada a uma,

Satisfaz a outra gente.

 

 

 

Alguns sobre o pobre vate

Talvez louvores espargem,

A esses voto meu canto,

A esses rendo homenagem.

 

 

 

Mal que o pátrio solo amigo

Nosso herói ledo pisou,

À multidão, que o saúda,

Enternecido abraçou.

 

 

10ª

 

No prazer, em que transborda,

Arrebatado assim diz :

«Ó minha pátria adorada,

«Torno a ver-te; sou feliz.»

 

 

11ª

 

Notou certa ansiedade,

Nas aves, e a razão,

Não sabia, sendo ela

De bem facil solução.

 

 

12ª

 

Quando tisnar se procura

O crédito, a quem o tem,

A sustentá-lo se prestam

Todas as aves de bem.

 

 

13ª

 

Mas já nos montes embaçam

Os raios do etéreo lume;

Faz na areia inquieta vaga,

Brando som, quase queixume.

 

 

14ª

 

Nas folhagens ciciando

Tênue aura suestina;

No céu fulge do Oriente

A rósea luz matutina.

 

 

15ª

 

Já trinam lindos Canários,

Gaipavas, e Gaturamos;

Sanhaços, Cambaciquinas,

Saltando por entre os ramos.

 

 

16ª

 

De sonoros Sabiás,

Alegre bando chegou,

E deles o mais sabido

Desta maneira cantou :

 

 

17ª

 

«Presta ouvidos aos meus acentos,

«Modesto Legislador,

«Atende aos votos humildes

«De um selvático cantor.

 

 

18ª

 

«Viste a luz em nossa terra,

«À côrte foste estudar

«Ciências com que vieste

«Teus patrícios ilustrar.

 

 

19ª

 

«Diva luz da liberdade

«Para nós veio raiar.

«Abusos velhos cumpria

«De sobre o povo tirar.

 

 

20ª

 

«Inda El-rei Nosso Senhor

«De Deus se não distinguia;

«E dizer-se — Liberdade

«Era dizer — Rebeldia — .

 

 

21ª

 

«Teus discursos, teus escritos

«De animada erudição,

«Nossos direitos defendem,

«Velam no bem da Nação.

 

 

22ª

 

«Quando do povo aterrado

«Tristes clamores ouvias,

«Em tal crise combateste

«Suspensão de garantias. [9]

 

 

23ª

 

«Muitas leis, que feitas foram

«Por bem nosso, e do país,

«Nasceram, e sazonaram

«Na tua mente feliz.

 

 

24ª

 

«Associada união,

«Política e fraternal, [10]

«Tudo criaste; e também

«Uma imprensa liberal. [11]

 

 

25ª

 

«Conseguiste, enfim, que breve

«Priscas preocupações,

«Não tivessem mais guarida

«Nem mesmo em nossos sertões.

 

 

26ª

 

«Pelo público serviço

«Desvelado, e diligente,

«Mil bens de ti receberam

«Nossa terra e nossa gente.

 

 

27ª

 

«Eleger-te deputado,

«Fora em nós quase um dever,

«Porque juntas aos serviços

«Patriotismo e saber.

 

 

28ª

 

«Foste assim por nós eleito

«Em missão legislativa;

«Não erramos, preencheste

«A geral espectativa.

 

 

29ª

 

«No Parlamento composto

«Dos mais sábios da Nação,

«Teus discursos, teu bom senso,

«Mereceram atenção,

 

 

30ª

 

«E na corte o teu prestígio

«Honra faz à nossa aldeia;

«Se lá te elege o Monarca,

«O povo aqui te nomeia.

 

 

31ª

 

«Como ministro da Coroa

«Gerindo a pasta da guerra,

«Findaste a luta de irmãos,

«Deste paz à nossa terra. [12]

 

 

32ª

 

«Com este ato sublime

«Tua missão acabaste;

«Se ao entrar pobre subiste,

«Ao sair pobre ficaste.

 

 

33ª

 

«E os louros querem tirar-te

«Tão nobres, tão merecidos?...

«Os feitos de Coriolano [13]

«Tambem foram esquecidos!!!...

  

 

 

 

CANTO IV.

 

ARGUMENTO

 

Ao Congresso, que se instala

Marcha o Cisne sem demora;

Um certo grupo descora

Quando o vê entrar na sala.

Com graça discute e fala;

Desbarata a oposição:

Volta à corte; e foi então

Que nobre, grave, e severo

O Guará no Quero-quero

Deu formal repreensão.

 

 

 

Calou-se o plúmeo cantor,

E as aves, que o escutavam,

Folego tomam, que há muito

De atentas nem respiravam.

 

 

 

Só então parte das aves

Com mágoa ficou ciente,

Que haviam tantos ingratos

Com cara de boa gente.

 

 

 

Que tal grupo de invejosos

Na pátria terra existia;

Houve quem se indignasse,

Mas o nosso herói sorria.

 

 

 

A coral e a jararaca

Mansas pombinhas serão,

Se com elas se compara

A inveja e a ingratidão.

 

 

 

Porém de humanas paixões

O Cisne conhecedor,

Nada disto lhe causava

Nem vislumbre de rancor.

 

 

 

Ingratos zoilos mesquinhos,

Vosso afã, e pouco siso,

Com desdém, são condenados

Ante o público juízo.

 

 

 

Aves vinte anualmente

Em congresso se juntavam; [14]

Sobre os públicos negócios

Do seu país legislavam.

 

 

 

Um vinte-avos do congresso

Era o Cisne de direito;

E no dia imediato

Nele achou-se com efeito.

 

 

 

Musa, tu, que me inspiraste

Este humilde canto meu,

No mais difícil do canto,

Me privas de auxílio teu?

 

 

10ª

 

Agora, que eu pretendia

Do meu herói descrever,

O estilo, o garbo, e modo,

E graça no discorrer;

 

 

11ª

 

É então que me abandonas,

Porque vás saborear,

Seus discursos maviosos,

Tão difíceis de imitar?

 

 

12ª

 

Sua voz serena, e firme

Acaso te encantaria?

Tens razão; do Cisne o canto

Tem sonora melodia.

 

 

13ª

 

Vou tambem ouvir atento

As frases da pátria amigas;

Contigo juro cantá-las

Por quem és, não me desdigas.

 

 

14ª

 

Ei-lo; em torno a vista lança,

Tranquilo pede a palavra;

Certo terror macilento

Nos rostos imigos lavra.

 

 

15ª

 

Oferecera o Quero-quero

Uma felicitação; [15]

Peça mesquinha, e pejada

De servil adulação.

 

 

16ª

 

O eloquente orador

Com discreto analisar,

Castigando a ruim doutrina,

Fez a peça reprovar.

 

 

17ª

 

Era notável a graça,

A finura e cortesia

Com que a jeito lhes lançava

Delicada zombaria.

 

 

18ª

 

Entoou loquaz Gansete,

Acusação muito antiga;

Sediça, e falsa provou-se,

Voltou ao bucho a cantiga.

 

 

19ª

 

Dos contrários a conduta,

Manda a prudência calar;

Seus atos causam desdouro;

Nem se devem divulgar.

 

 

20ª

 

Certas gralhas, que na ausência

Tanta grasnada fazism,

Caladinhas, acanhadas

Nem palavra proferiam.

 

 

21ª

 

Exclamou o Cisne vendo

Tão mofinos contendores:

— «Honro-me pouco vencendo

«Tão fracos opositores.» —

 

 

22ª

 

E dos seus se despedindo

Fez à corte o seu regresso,

Novos deveres o chamam

A mais luzido congresso. [16]

 

 

23ª

 

Adeus, ó ave adorada,

Mimosa, e cândida flor;

O nosso pranto saudoso

É teu cântico de amor.

 

 

24ª

 

Então vistoso Guará

Ao Quero-quero exprobando,

Da província amotinada

O estado miserando.

 

 

25ª

 

Assim diz: — «Tu que tens feito

«Ao Cisne tão crua guerra,

«Não dirás que benefícios

«Já fizeste à nossa terra?

 

 

26ª

 

«Dize mais: — que bens lhe podes

«Para o futuro trazer?

«Pelas provas que tens dado,

«Só males podes fazer.

 

 

27ª

 

«Por ora, o que nos tens feito

«E’ profunda divisão, [17]

«Entre amigos, e parentes

«Da mais íntima união.

 

 

28ª

 

«’Té ao seio das famílias

«Tens a discórdia levado;

«Em mil pleitos, mil demandas,

«Tens o povo emaranhado. [18]

 

 

29ª

 

«De Pandora a caixa iníqua

«Destampaste em nosso dano,

«Que maior mal nos faria

«A subida de um tirano?

 

 

30ª

 

«Quanto a ti, Cisne famoso,

«Sinceros votos aceita,

«A outrem, que tu não sejas,

«Nossa gratidão rejeita.

 

 

31ª

 

«E quando austeros destinos

«Contigo sejam fatais

«Honra mais descer contigo,

«Que subir com teus rivais.

 

 

32ª

 

«Findarás, Cisne querido,

«Pois não hás de ser eterno,

«Mas teu canto de agonia

«Há de ser saudoso e terno.» [19]

 

 

33ª

 

Disse: e logo abrindo as asas,

Fendendo os ares, voou;

Disse pouco; mas que puras

Verdades articulou!!!

 

 

 

 

 

 

FIM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

[1] Latitude Sul da Ilha de Santa Catarina 27° 80’.

 

[2] Longitude Oeste de Greenwich 48° 40’, ou 970 léguas marítimas de 20 ao grau.

 

[3] Alusão ao novo candidato, quando voltou do Curso Jurídico.

 

[4] Reuniões em club promovidas pelo candidato.

 

[5] Refere-se ao grupo de pretos libertos, e muitos deles africanos que foram associados ao clube Cristão.

 

[6] A bandeira encarnada é sinal de aparecer navio.

 

[7] A corveta de guerra Bertioga, que trazia o atual De­putado a 2 de março de 1847.

  

[8] Orfeu, por exemplo, tirando do inferno a bela Eurídice.

 

[9] Foi na sessão de 30 de março de 1839, em que, como relator de uma comissão especial, lavrou esse famoso parecer contra a suspensão de garantias pedida pelo presidente da próvincia, como medida de terror.

 

[10] Alude à Sociedade Patriótica, e à loja maçônica — Cor­dialidade — .

 

[11] Alude à 1ª imprensa por ele estabelecida na província.

 

[12] Alude à pacificação da guerra civil do Rio Grande do Sul que se realizou em fins de fevereiro de 1845, depois de 9 anos de encarniçada luta.

 

[13] O famoso e ilustre general Romano, que, depois de gloriosos serviços à sua patria, desterrado e banido pela ingratidão do povo, foi mendigar um asilo na cidade dos Volscos, seus inimigos!

 

[14] Refere-se à assembleia provincial, que é de 20 membros.

 

[15] Projeto de felicitação ao presidente, por ter declarado na fala da abertura, que não intervinha nas eleições.

 

[16] À assembléa geral legislativa.

 

[17] Plantando a odiosa distinção de Cristãos, e de Judeus, e especulando perfidamente com este ardil supersti­cioso, e com a simplicidade dos povos.

 

[18] Suscitando, como advogado, e para seu proveito, uma multidão de demandas, enredando os povos em tal labirinto de chicanas, que em breve será uma espécie de guerra civil.

 

[19] Alusão feliz à historia fabulosa do Cisne, que na hora da agonia, e nos seus últimos momentos, solta um canto mavioso, e depois morre.